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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Ninguém é perfeito

Conhecido como conselheiro político, Horácio Maranhão naturalmente sempre está pronto a debater esse assunto, o que o faz requisitado pelos caciques e ocupantes de cargos públicos tanto de Xambioá quanto de São Geraldo do Araguaia, cidade do Pará que fica na outra margem do rio Araguaia. Sua calçada, com vistas para o rio, é parada obrigatória nos fins de tarde daqueles que gostam de falar nas articulações e conjecturas que movimentam o meio político. Até mesmo o Deputado Siqueira Campos era um dos que quando visitava Xambioá, ainda na época de Goiás, de lá não saía sem passar por aquele palco de especulações. E assim Horácio ajudou muito prefeito a solucionar problemas que se faziam repentinos e de difícil resolução.
Entretanto, ele não levava sorte nas vezes em que tentou um cargo eletivo. Embora tenha conseguido se eleger vereador ele não obteve sucesso quando candidatou-se a prefeito, nem nas duas vezes em que tentou um mandato de deputado.
Na primeira campanha ao legislativo ele se disse traído pelo líder político da cidade, o prefeito Everaldo Barros. Sua outra decepção ocorrera em Araguanã que na época era apenas uma corrutela pertencente ao município de Araguaína.
Conta-se que o seu cabo eleitoral na vila de Araguanã cometera um ato de irresponsabilidade que afetou sobremaneira o seu resultado eleitoral. Um morador de Araguanã falou que o cabo eleitoral do Horácio bebera demasiadamente na véspera da eleição, entrando madrugada adentro, e não tivera condições de se levantar no dia seguinte, deixando a eleição passar sem condições de cumprir sua função, facilitando a ação dos concorrentes que subtrairam os votos do Horácio.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Um cordel sobre Palmas a capital do Tocantins


Na planície do cerrado
lançou-se a pedra fundamental
de uma nova cidade
para ser a capital
deste mais novo Estado
que fica localizado
distante do litoral
-------*-----------
As margens do rio Tocantins
o lugar foi escolhido
o seu plano foi traçado
e um marco foi erguido
quando os tratores chegaram
as matas eles derrubaram
e o alicerce construído
---------*----------
Na região central do Estado
para facilitar o acesso
tal qual a capital do Brasil
ali se buscava o sucesso
por isso prepararam o lugar
onde iria se governar
alavancando o progresso
--------*-----------
Com as máquinas trabalhando
rapidamente ruas se abriam
sob o calor do sol quente
aqueles prédios se erguiam
eram operários que chegavam
e logo se empregavam
e salários recebiam
--------*-----------
Aquele que só esteve aqui no início
quando retorna fica impressionado
ao ver que aquele canteiro de obra
hoje é maior cidade do Estado
quem viu toda aquela dificuldade
não esperava encontrar uma cidade
no chão que vira desabitado

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Minha identidade

Nasci no Rio grande do Norte, um estado pequeno e homogêneo com características próprias. Imigrei ao Tocantins um estado gigantesco e heterogêneo com uma diversidade cultural enorme.
Depois de quase vinte anos estabelecido aqui ainda não perdi aquele sotaque característico da minha terra e, vez por outra, quando alguém me ouve pergunta se eu sou nordestino. Eu respondo que sim, porém faço uma ressalva e acrescento que sou Potiguar.
Embora me orgulhe de ser um nordestino, prefiro ser específico quanto a minha naturalidade. Eu explico porque! O Nordeste é composto por nove Estados da Federação e cada um apresenta suas peculiaridades culturais típicas e variações, embora pequenas, na maneira de falar. Portanto não é justo afirmar que o maranhense tem as mesmas características e costumes de um baiano, assim como os demais Estados mesmo que sejam fronteiriços.
E para sustentar o meu ímpeto, eu tomo como base o dia a dia aqui em Palmas, pois tanto no meu trabalho quanto na vizinhança ou pelas ruas estou em constante contato com pessoas oriundas do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e do Norte. E nenhuma dessas se identificam pela região, mas pelo Estado de onde emigraram. O filho de Minas Gerais é Mineiro, o de São Paulo é Paulista assim como o Capichaba, Carioca ou o Fluminense. O mesmo acontece com o Goiano, o Gaúcho e os tantos outros que para aqui vieram deixando, como eu, seus Estados de origem. Até mesmo o Tocantinense quando se desloca a outra parte do Brasil faz uso da identificação estadual.
Embora não pretenda fazer disso um grito de guerra e muito menos causar polêmica, pois cada um tem o direito de se definir como bem queira. Eu entendo que me identificando apenas como um nordestino estou deixando se perder parte de minhas raízes e colocando minha história em dispersão, sem aquele típico sentimento de amor pelos meus conterrâneos e pelo chão onde nasci.
Concluindo quero dizer que aprendi a gostar deste Estado que me acolheu e onde hoje vivo com minha família, mas jamais deixarei de ratificar que sou norteriogandense quando alguém usar um termo genérico e regionalista acerca da minha origem.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A cassação do Governador do Tocantins e a Eleição Indireta - Em Cordel

A política tocantinense
viveu um fato inusitado
setembro de dois mil e nove
houve mandato cassado
a noite um perdia o poder
de manhã outro era empossado
*
Marcelo entrou com recurso
mas não conseguiu se manter
e depois de alguns meses
ele teve que se render
deixando o Palácio Araguaia
para Gaguim assumir o poder
*
Gaguim assumiu como interino
até haver uma eleição
e o que fosse escolhido
faria um mandato tampão
no entanto ninguém esperava
que fosse ter pactuação
*
A resoulução do TSE
tirou a perspectiva
pois a escolha do sucessor
ficou com a Assembléia Legislativa
Deixando a população inerte
sem qualquer alternativa
*
E os deputados conchavaram
tirando o povo da reta
e do jeito que fizeram
tiveram a vitória certa
elegendo seu candidato
por meio de eleição indireta
*
Com quem ficou o poder
ninguém faz qualquer idéia
e tudo se trasformou
numa verdadeira alcatéia
já que o Palácio Araguaia
virou refém da Assembléia.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Nem sempre a primeira impressão é a que fica



Sempre que aquele Jovem senhor maranhense por nome de Glédson, com sua cor morena e olhos esverdeados, passava com a mulher em direção a igreja pelas ruas do Jardim Aureny III carregando os dois filhos em um carrinho de mão, as pessoas olhavam desconfiadas achando que talvez ele tivesse um parafuso a menos em seu corpo.
E numa daquelas noites chuvosas eles retornavam do culto da Assembléia de Deus, andando calmamente pelas ruas escuras do setor, quando de repente, num descuido ao subir uma ladeira, ele escorregou fazendo com que o carro se desgovernasse precipitando-se a tombar e despejar as crianças no solo lamaçento.
Vendo as crianças sujinhas e chorando a mãe começou a reclamar dizendo que aquela não fora a vida que pedira a Deus; no entanto, ele pediu-a que tivesse calma, esclarecendo que as coisas não eram da forma que ela estava pensando.
E naquele momento ele começou a lembrar do início, quando chegara. A cidade era apenas um canteiro de obra e ele trabalhava de servente a ainda morava e fazia as refeições na própria construção onde estava trabalhando, próximo de onde hoje é o Colégio Frederico Pedreira. Depois ele fez um curso de eletricista e de pedreiro. Aí logo conseguiu uma vaga na prefeitura como serviço prestado. Naquele tempo ele bebia muito e não tinha sequer uma bicicleta para andar. Depois passara a ser crente e, com satisfação, lembrou-se que eles foram o primeiro casal a se converter naquele local onde estavam morando. E eles até já tinham uma casinha para morar, além de já estar sendo funcionário concursado da prefeitura.
Todavia, a partir naquele dia, ele e a mulher combinaram em fazer uma campanha de oração. E todos os dias acordavam as quatro horas da manhã e, de joelhos, buscavam força na fé aproveitando para pedirem também a prosperidade financeira.
Em poucos dias os quatro passaram a ir a igreja em cima de uma bicicleta. Até que numa manhã ao passar em frente a uma garagem que vendia carros usados ele parou e pensou em fazer um financiamento para adquirir seu primeiro veículo motorizado.
Chegando em casa ele foi compartilhar o desejo com a esposa, mas ela protestou dizendo que eles não tinham condições para fazer aquilo; no entanto ele foi firme e respondeu que confiava no Deus em que estava servindo. E naquele mesmo período ele comprou seu primeiro carro, um Uno usado ano 95/96 com trava elética e vidro elétrico do qual ele muito se orgulha por ter terminado de pagar sem atrasar um dia sequer no pagamento das prestações.
E hoje quem o ver pelas ruas daquele setor em que sempre morou, lembra ainda daquele tempo em que o via impulsionando um transporte de mão, a chamar a atenção dos moradores que concluiram ser ele a mesma pessoa audaz de antigamente. O que mudou foi a impressão que faziam de sua pessoa.

sábado, 31 de outubro de 2009

Memória Viva


Foto cedida por Osvaldo Dias Brito

Desde que recebeu o diploma pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Goiás, muitos sorrisos ele refez no pousar sobre sua cadeira depois que a ansiedade os conduziram, apreensivos, em busca de uma solução para uma perda, mesmo que temporária, da alegria. A contar do ano de 1962, certamente foram muitos os que o procurou confiando que diante do seu conhecimento retornariam paras suas casas com a alegria restabelecida. E foi através do serviço público que Dr. Osvaldo Dias Brito começou a desempenhar a profissão de Cirurgião-Dentista na pequena cidade de Tocantínia, situada a aproximadamente sessenta quilômetros de Palmas. Na época havia outros quatro colegas atuando na região do antigo Nortão de Goiás. Em Tocantínia só ele era profissional formado. Além do contrato pelo Estado de Goiás, ele tinha consultório particular. O interessante é que ele desempenhava a função sem o auxílio de energia elétrica, trabalhando com dois motores a pedal, sendo um dele e outro do Estado. As dentaduras ou chapas, como são popularmente chamadas, eram confeccionadas em Anápolis com um protético chamado Jovelino Galvão, fazendo-o afirmar com prazer que com o uso do articulador, plano de cera e a escala de dentes, os casos sempre davam certo,
Satisfeito com a porfissão ele orgulha-se do seu trabalho e tem a satisfação de mencionar o fato de haver tido o Bispo de Miracema, Dom Jaime Collins, no rol de seus pacientes, apesar de haver outros profissionais na vizinha cidade que é separada da sua apenas pelo rio Tocantins.
Dr. Osvaldo, como é chamado pela população, já passa dos oitenta anos, tendo se aposentado no dia 29 de abril de 1993. Ele nasceu em Tocantinópolis, porém seu registro oficial o designa como nascido em Filadélfia. Casado, ele tem apenas uma filha. Com veemência ele se emociona e destaca o direito ao diploma de Cirurgião-Dentista a uma conquista alcançada indiretamente, fazendo jus ao fato de ser filho de Henrique Figueiredo Brito e Emília Dias Brito.
Como homem que apoia a cultura do seu povo e com interesse em ver preservada a memória da odontologia do Estado do Tocantins, ele doou seu velho e antigo consultório para a criação do museu da odontologia esperando com isto ter dado o pontapé inicial para outras junções de peças a compor a história da odontologia deste mais novo Estado do Brasil.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A separação de Siqueira Campos e Marcelo Miranda

As previsões já diziam
Esta união irá acabar
Depois que o Marcelo assumir
E começar a governar
Pois haverá disputa
Para no Estado mandar

E a separação chegou
A previsão foi concretizada
A relação foi dividida
E ela já vinha arranhada
Sendo impossível para eles
Poder ser continuada

Em suas vidas políticas
Eles não começaram aliados
Mas depois que se uniram
Pareciam nós bem amarrados
E só o poder os teriam
Novamente separados


Esta foi a grande manchete
Embora fosse esperado
Em todo canto corria
Nada era mais divulgado
Nos salões, bares e esquinas
Onde um grupo fosse formado

Siqueira ficou como prepotente
Marcelo como traidor
Mas no final das contas
Não havia mais amor
O caso era de rompimento
Mesmo que fosse com dor

Marcelo mudou de partido
E foi para oposição
Que coisa mais estranha
Governo não ser situação
Porém é como foi definido
O modo da sua ação

Siqueira foi à TV Anhaguera
Colocando o dedo em riste
Bem de frente para a câmera
Para que Marcelo visse
E provasse para o povo
A dívida que ele disse

Dos pontos fracos do governo
Siqueira se aproveitou
Não faltou uma só coisa
Que ele não criticou
E tudo que acontecia de ruim
A Marcelo ele culpou


Marcelo que antes só ouvia
E pretendia ficar calado
Diante de tanta acusação
ficou muito inconformado
E pôs para fora a dívida
Que Siqueira havia deixado

A imprensa passou a ser palco
De brigas e acusações
Nos programas partidários
E nos jornais das televisões
Com muitas trocas de insultos
e outras apelações

Marcelo de tudo fez
Para o tempo de Siqueira esquecer
Mudou o nome do programa
Governo mais perto de você
Para o Tocantins é para todos
E sua campanha fazer

Conclusão:

Os dois disputaram o governo
Siqueira saiu com tudo confiado no que criou
Enquanto Marcelo tinha outro trunfo
E acreditava no seu genitor
E depois de uma campanha acirrada
Ao final Marcelo ganhou

sábado, 17 de outubro de 2009

A Bênção de Deus





Quando Palmas iniciava seu processo urbano e atraía seus primeiros moradores, Porto Nacional há muito já estava fincada no meio do cerrado norte-goiano como uma cidade tradicional, às margens do rio tocantins, conhecida com a mais histórica e como berço da cultura deste sertão outrora muito distante da capital de Goiás. E foi justamente de Porto que vieram alguns dos primeiros funcionários públicos e habitantes para esta planície onde edificaram a capital do Estado do Tocantins.

Porto Nacional cedeu parte de sua população e também foi favorecida pela proximidade com o centro das decisões políticas do Estado havendo, portanto, um equlíbrio entre as perdas e ganhos advindos com o surgimento da cidade administrativa.

Entre as tantas famílias que migraram nessa direção estava a do irmão Leonardo, um crente Batista natural da bahia que vendeu o que tinha para investir neste novo horizonte que ele viu se abrir não só para aqueles oriundos da região, mas para todos os brasileiros que tivessem coragem da arriscar-se a uma nova vida.

Quando chegou com a esposa, os dois filhos e a filha ele logo comprou uma casinha simples naquela quadra que hoje é uma das regiões mais nobres da cidade, a Arne 14, e com o que sobrou saiu à procura de uma nova ocupação já que com sua mudança havia vendido a oficina de bicicleta que era o que lhe dava o sustento.

Sem saber por onde começar ele foi até a rodoviária que ficava na Arso 41 e logo que lá encostou avistou uma lanchonete bem rústica à venda que não tinha mais do que duas ou três sacolas de laranjas dependuradas em sua dependência. Ao procurar saber o valor, o proprietário pediu dois mil e quinhentos reais por aquele vão de tábua que fazia parte da estrutura precária da rodoviária e que era desprovido de móveis e qualquer tipo de saneamento básico. Depois de fazer um levantamento no seu capital, irmão Leonardo viu que podia dispor apenas de dois mil contando com as duas bicicletas que seus filhos usavam para ir a escola. E a proposta foi bem recebida e aceita pelo vendedor que de imediato lhe entregou a posse daquela sala vazia.

Para dar início à labuta ele comprou um fogão, arranjou uma geladeira emprestada com um irmão do grupo de gideões e a estufa foi doada por um irmão de sangue. A partir daí toda manhã ele ia ao açougue comprar meio quilo de carne moída para fazer o pastel para vender.

Apesar dos dias difíceis, ele afirma que como servo de Deus nunca deixou de dar testemunho nem de receber as bênçãos sobre seu lar. Por isso mesmo diante das dificuldades ele sabia que sempre teria em dobro tudo quanto depositava no altar do Senhor.

Certo dia irmão Leonardo se viu em grande aperto diante das despesas com passes de ônibus para os filhos irem a escola e ao fato de ver que naquele restante de feira em casa só sobrara arroz e feijão para comer. O dinheiro que apurara na lanchonete acabou ainda de manhã quando teve que reabastecê-la do mínimo possível para tocar o negócio. Contudo no outro dia ele saiu de casa para comprar a carne achando que seu dinheiro dava para adquirir um quilo e assim poder dividi-la ao meio entre sua casa e a lanchonete. E ao chegar ao açougue mandou que cortasse a carne, porém seu desapontamento foi grande na hora de pagar quando percebeu que o dinheiro só dava para meio quilo já que havia os passes para os filhos irem a escola. E assim imediatamente ele mandou suspender a outra parte deixando o açougueiro zangado a reclamá-lo por tê-lo feito partir aquele naco de carne.

Irmão Leonardo saiu dali humilhado e abatido tanto por não levar a carne para casa como pela bronca do açougueiro. Todavia ao cruzar a segunda rua na direção de casa e, ao pegar um descampado, triste, inesperadamente quando ele levantou os olhos eis que surgiu um tatu andando calmamente em sua frente. Ele então refletiu e concluiu rapidamente que aquilo era providência divina e imediatamente partiu para cima do animal usando dos seus pés para imobilizá-lo.

De posse daquilo que lhe serviria para suprir a falta da carne em casa, ele com muita satisfação atribuiu o fato a uma bênção de Deus e chegou em seu lar ciente de que Ele é fiel e nunca haveria de deixar um servo desamparado.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Os lanches de ontem e de hoje


Ao entregar o dinheiro do lanche ao meu filho fiz observando esses lanches que fazem sucesso hoje em dia, os salgados tipo: coxinhas, esfirras, empada etc. No meu tempo eram as tapiocas com coco a grande atração. E como uma lembrança puxa outra recordei que uma vez ao receber o dinheiro do meu avô para também satisfazer ao meu estômago famélico na escola, ele me contou uma história do seu tempo de estudante na cidade de Mossoró.
Na escola em que ele estudava nada era mais disputado no recreio do que umas tapioquinhas bem úmidas, adocicadas e recheadas com coco que eram vendidas por um adolescente. E logo que a sineta tilintava liberando os alunos para o intervalo todos ficavam a aguardar a chegada do garoto com uma badeja repleta daquela iguaria de inigulável sabor e de cujo tempero todos desconheciam. E não dava para quem queria, logo a bandeja estava vazia e o menino voltava para casa com um saquinho cheio de moedinhas prateadas.
De repente deram pela falta do garoto no pátio da escola depois que ele havia conquistado uma legião de fregueses viciados naquelas guloseimas. E aquela ausência foi se prolongando deixando todos na mão e curiosos em saber o motivo daquele súbito desaparecimento.
Até que um dia, quando meu avô e mais alguns daqueles seus colegas andavam pela rua, avistaram o jovem vindo de encontro juntamente com dois irmãos menores. O menorzinho que parecia estar aprendendo a andar estava no meio, entre o adolescente e o outro que talvez estivesse com cinco ou seis anos. Ao se cruzarem todos pararam enquanto o adolescente sentiu que os estudantes estavam interessados em perscrutar a cerca do seu sumiço. E foi dito e feito logo eles quiseram saber porque o garoto deixara de levar ao colégio aquela iguaria que sempre provocava a maior comilança. Enquanto o adolescente parecia não achar uma resposta que justificasse sua ausência o garoto do meio foi enfático e não deixou passar a oportunidade para dizer que foi porque o leite do peito da mãe havia secado.
Ponto final, desde aquele dia acabou-se a fome daqueles estudantes pelo lanche que durante algum tempo fora o mais requisitado da escola.

domingo, 11 de outubro de 2009

A honra de um juiz


Nesses tempos de eleição indireta aqui no Tocantins vale apena lembrar uma sessão que assisti na Assembléia Legislativa em 18/03/05.


O deputado Santana do PT subiu à tribuna com o discurso pronto e olhou para os colegas soprando uma voz de desabafo repudiando a atitude de um juiz que processara alguns parlamentares daquela casa por conta de suas atuações durante a última eleição. Com a palavra na boca Santana diz: "A honra de um juiz no Tocantins vale cinco mil reais", referindo-se ao valor idenizatório requerido por um magistrado pela reparação ao dano aludido.
Sem titubear ele segue na sua oratória classificando o ato como um estorvo ao livre exercício dos seus direitos, bem como ao cumprimento dos seus deveres como representantes do povo.
Atento ao seu tempo que parecia esgotar-se rapidamente, após aferrar-se demasiadamente durante todo o seu discurso ao ocorrido, concluíu o protesto solidário aos colegas, subscrevendo-os, disposto a juntos denunciar ali todas as ações que fossem consideradas arbitrárias.
Em seguida foi a vez dos apartes de alguns colegas que vieram sob a forma de flechas rumo a um único alvo colocando em xeque a honra de um dos mais respeitáveis cargo do poder judiciário.
Insastisfeito com a acusação dos confrades, o Deputado Manuel Bueno pediu a palavra e contestou dizendo: "É muita petulância dizer que a honra de um juiz no Tocantins vale cinco mil reais. Isso é um desrespeito aos magistrados do nosso estado". Quando Bueno terminou percebia-se que ele tinha acirrado ainda mais os ânimos dos oradores que inconformados, pudia se ver, já se armavam de argumentos para revidar. Mas antes que os acossados contra-atacassem o deputado Eli Borges, que até então só observara ao debate calado, levantou-se e entrou rapidamente em ação usando de sua tática conciliatória própria a um pastor evangélico e levantando o dedo indicador atraíu os olhos para si para dizer em seguida de modo convincente: "O Deputado Manuel Bueno falou corretamente quando se referiu a honra de "Um juiz". Portanto se conclui que a honra dos demais não foi afetada pelos nossos colegas". A ação do Eli acalmou os ânimos de ambas as partes, encerrou o assunto e ainda conseguiu fazer com que todos, inclusive Manuel Bueno, caíssem na risada diante do seu parafraseado conciliador.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Salvo pela calça velha

Depois de algum tempo morando em Palmas o vendedor de picolé Almir retornou à cidade de Imperatriz no Maranhão para se desfazer do útimo bem que deixara por lá - a casinha de alvenaria que levara toda uma vida para construir na periferia daquela cidade. Não tinha dúvida de que queria se estabelecer de vez na capital do Tocantins e iria usar o dinheiro para aplicar na compra de outro abrigo, tendo já perambulado pelas ruas e até encontrado uma simplesinha mas com sala, cozinha, dois quartos e um banheiro.
Estava satisfeito na nova cidade, as vendas de picolé estavam indo de vento em popa e nos finais de semana, quando trabalhava na praia, vendia de dois a três carrinhos daquele palatável sólido gelado e ainda levava o filho pré-adolescente para catar latinhas e com isso tirar o dinheiro do material escolar. A mulher estava trabalhando de ASG no Palácio Araguaia e nas horas de folga sempre lhe aparecia uma faxina ou uma lavagem de roupa reforçando o orçamento enquanto que a filha adolescente colocava em ação suas prendas domésticas ao tomar conta da casa.
Naqueles primeiros meses ele não precisou pagar aluguel, graças ao cunhado que cedera um quartinho nos fundos de sua casa para ficarem até ele encontrar um serviço. Até que chegou o dia de tomar uma decisão.
Chegando em Imperatriz parecia que o destino o queria mesmo como parte do mais novo estado do Brasil. Pois mal ele terminou de abrir a boca e já aparecia comprador com dinheiro contado e sem pedir nem um centavo de abatimento. De posse do numerário ele não demorou-se e rapidamente foi à rodoviária comprar a passagem. No mesmo dia embarcou com o dinheiro que coube todinho dentro do bolso da calça. Era pouco mesmo, não deu nem para abarrotar. Na mão ele levava uma pequena sacola de plástico contendo uma calça velha remendada que até suja estava além de duas cuecas e uma camisa surrada. Quando entrou no ônibus colocou aquele embrulho junto aos pés e viu o carro seguir viagem pela noite a dentro. O pensamento era só um - chegar em casa com o amanhecer e sair iediatamente para fechar o negócio.
Sentado na última fila de cadeiras ele logo adormeceu ouvindo o distante barulho do motor com o corpo a balançar enquanto o veículo percorria a rodovia Belém-Brasília na aceleração permitida pelo tacógrafo. No avançar da viagem, quando provavelmente já estavam da metade para adiante ele acordou ao sentir aquela desaceleração e teve a impressão de que o ônibus se desviava da rota ao perceber uma trepidação incomum a BR que trafegavam. Sonolento escutou umas vozes estranhas e percebeu que o motorista parou de vez para em seguida abrir a porta do veículo.
Desconfiado ele colocou a cabeça na linha do corredor avistando a fila de cadeiras dos dois lados, arregalou os olhos sonolentos e para sua tristeza teve a conclusão de que todo aquele seu trabalho de anos estava a se evaporar naquele instante.
Imediatamente ele retirou o dinheiro do bolso à procura de algum lugar ao redor para esconder dos bandidos que lá na frente apontavam armas para os passageiros naquela determinação de que lhes entregassem tudo de valor que tivessem. Sem nenhuma alternativa ele discretamente abriu a sacola e colocou o numerário dentro da perna da calça velha que estava no fundo. Mas estava ciente de que aquilo de nada iria adiantar ao ver que os homens reviravam tudo que pegavam com uma sede de não deixar nada passar.
Quando os homens avançaram até onde ele estava, mandaram-no colocar-se de pé ordenando que virasse o rosto e logo meteram a mão nos seus bolsos encontrando apenas os dois reais que serviriam para pagar a passagem do transporte urbano da rodoviária até sua casa. E sem perda de tempo arrebataram-lhe a sacola enquanto ele ouvia o barulho do devassar de suas poucas roupas de forma amiúde.
Ao final os homens sairam sem nada reclamar deixando-o certo de que eles haviam subraído todo o seu suado trabalho. Triste, estava inconformado desejando ser aquele momento apenas um sonho longínquo. De tão abatido que ficou não tivera nem coragem de conferir o prejuízo para não aumentar ainda mais o malfadado desgosto que apossava de si.
Ao desembarcar naquela manhã sentindo-se liso e desconsolado teve que ligar par o cunhado vir buscá-lo na rodoviária, já adiantando o terrível acidente o qual fora vítima. Sem palavras seguiu ao lado do cunhado. Ao parar em casa desceu cabisbaixo vendo a mulher e os filhos chorando o que o deixou ainda mais impotente.
Ao entrar em casa tirou aquelas roupas amarrotadas de dentro da sacola e, sem ânimo, deixou-as sobre a cama desprovido de qualquer perspectiva futura.
Mas grande foi a surpresa de todos quando sua filha juntou aqueles trapos na intenção de levá-los para lavar. Pois nem bem ela levantou aqueles panos e logo começou a chover dinheiro pela perna da calça velha, para alegria da família que perceberam terem os ladrões passado batido diante do tão bem improvisado esconderijo.

domingo, 4 de outubro de 2009

O Presidente Operário


Apresento uma biografia do Lula em cordel



Cronologia


  • 1945 -Em Pernambuco nasceu
  • 1952- A São Paulo emigrou
  • 1952- Em Guarujá foi morar
  • 1978- No ABC liderou
  • 1990- O Brasil percorreu
  • 2001- A Brasília chegou

Esta breve biografia

Não é uma ficção

Pode ser até que alguém

Não goste da explanação

Mas os fatos aqui mostram

Que não há qualquer invenção

Luís Inácio da Silva

É como foi registrado

Mas Lula foi o nome

Que havia se espalhado

Por isso o seu registro

Precisou ser alterado

Ele saiu do Nordeste

Como tantos retirantes

Em cima de pau de arara

Saiu como viajante

Vários dias pela estrada

Até a terra distante

Com a mãe e os irmãos

Deixou para trás parentes

Todo um passado de infância

Terra, animais casa e gentes

E não imaginava que um dia

Voltaria presidente

Com apenas nove anos

Começou a trabalhar

Pois nas despesas de casa

Ele tinha que ajudar

Trabalhando de engraxate

Pra poder se sustentar

Depois foi ser metalúrgico

Com quinze anos completo

Numa fábrica de parafusos

Mostrou-se ágil e esperto

E ali a profissão

Ele tinha descoberto

Em São Bernardo do Campo

Havia se estabelecido

Dirigindo um sindicato

Logo ficou conhecido

E a sua liderança

À classe tinha se expandido

Ele foi levado ao cárcere

Por não calar sua voz

Combatendo empresários

E o sistema feroz

Mas embora fosse punido

Não temia o algoz

O que ele não conseguiu

Não fez uma faculdade

Quando criança não brincou

Não evitou a perda do dedo

Não foi eleito governador

Não conseguiu derrotar Collor

De FHC não ganhou

Conclusão

O motivo de falar sobre Lula

Não é paixão nem fantasia

Não é adoração

Muito menos idolatria

Nem é também bajulação

E nem significa que eu desfrute de qualquer regalia

Admiração

Admiro as pessoas que lutam

E conseguem crescer

Que fazem a diferença

E o resultado se ver

Que são inteligentes

Pois mesmo sem estudar

Pôde na vida vencer.

sábado, 3 de outubro de 2009

A Casa do Estudante

Eu hoje me lembrei do tempo de estudante quando morei na velha casa da praça Lins Caldas em Natal. Dias difíceis mas de muito aprendizado na vida. Ali onde fora uma cadeia na época da 2ª guerra mundial ainda hoje serve de abrigo para os adolescentes que deixam a casa dos pais no interior para tentar de vez ingressar na vida propriamente dita. Gente que chega, gente que sai. E gente que permanece por uma vida inteira alimentando o sonho que as vezes termina em nada. Todavia muitos que passaram por lá e que pegaram o prumo, mesmo que não tenham feito um curso superior, hoje são pessoas bem sucedidas e podem oferecer aos filhos outra realidade que não aquela dentro daquelas celas onde outrora abrigara bandidos. Recordo-me de muitas situações; a começar pelo amanhecer quando acordava e ia para fila do banho, era preciso entrar no banheiro sem roupa para não perder a vez e logo que um chuveiro desocupava caía debaixo enquanto enganchava a roupa e a toalha, que estava nas mãos, naqueles cabides ainda impregnados pelo cheiro das roupas íntimas do colega anterior.
Depois do café saía para o colégio e, depente no meio do caminho o corpo começava a coçar e então via sair por entre as frestas da roupa aquele percevejo pequenino e preto andando devagarzinho por entre os pelos florescentes do meu corpo. Já não bastava as nossas camas repletas daqueles hematófagos obrigando-nos a toda semana fazer uma limpeza com querosene para diminuir a grande infestação.
Era também muito comum contrair escabioses e outras alterações cutâneas decorrentes do próprio ambiente coletivo onde os colchões na sua maioria eram velhos e mofados.
A minha primeira semana na Casa do Estudante do Rio grande do Norte foi pesada. Era o início do ano de 1981 e caíra um dilúvio na região do Trairi derrubando torres de energia elétrica deixando a capital sem luz durante vários dias.
Ficamos sem água e consequentemente o restaurante não pode funcionar. Era preciso descer até o Paço da Pátria, às margens do rio Potengi, para tomar banho em umas cacimbas que havia por lá.
Para completar, a casa passava por um grave problema financeiro penando com um dívida a perder de vista. Porém o mais complicado era entrar naquelas privadas francesas que ficavam separadas do local de banho. O cheiro não era cheiro, era fedor. Restava ter paciência ao fazer o serviço tentando tampar o nariz, quase a ficar sem fôlego.
Acho que vivi dez anos em um ano e que comi uma tonelada de arroz duro feito bolão. Tomei várias pipas de sopa sem gosto e segurei centenas de vezes aqueles bandeijões mal lavados em que era servida a comida.
Enfim sofri, mas não desisti. Aprendi e hoje tenho uma profissão que me deu um emprego.
Agradeço a Deus por ter conseguido. E fico feliz por ver que os colegas da minha época e que se abrigavam comigo na mesma cela também venceram. Posso citá-los um a um como prova inequívoca da persistência e do sucesso alcançado.
Entre eles estão: Costinha, Totinha, Lisboa Marinho, Teton ( meu irmão), Chico Lopes, Saboinha, Dião, Raimundo de Dico, Dibede, Vicenildo e Carlos Alberto.
Hoje moro distante de todos, mas quando os encontro vejo nos olhos de cada um a certeza de que valeu a pena pagar tão caro para ter uma vida melhor.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009


Inicio minha primeira página deste blog ao colocar em voga estas palavras dizendo, de antemão, que não pretendo me promover a nada através dele. Isto aqui é simplesmente uma realização pessoal. Pois devo dizer que há algum tempo escrevo e ao longo desse período fui guardando meus rascunhos acabados na intenção de um dia vê-lo virar uma página aberta aos amantes da literatura.Em função dos custos com uma publicação impressa inviabilizar um possível investimento dou como justificativa a dificuldade de ter o retorno do meu dinheirinho suado, por isso parti com toda força para as páginas da web, pois como vocês sabem aqui é de graça e como eu provavelmente não iria obter nenhum lucro fazendo a edição desse material, não vejo como prejuízo entregar também grátis aquilo que criei. Eu falo isto com a experiência de quem já está por mais de um ano com um livro de romance pronto, tendo, ao mesmo tempo, acompanhado outras pessoas que assim como eu gostam de escrever e que se arriscaram a entrar numa gráfica para pagar pelo serviço de impressão que nunca mais voltou ao seu bolso -"mesmo assim eu penso em publicar meu romance!".Contudo não foi só isso o que impossibilitou essa minha empreitada. Aconteceram outros contratempos. Não posso deixar de compartilhar com quem ainda não sabe, mas é que passei recentemente por momentos difíceis na vida com a perda precoce do meu primogênito que estava com a tenra idade de apenas doze anos, o que me deixou por cerca de um ano inerte, devido a preocupação e os cuidados com o tratamento que a doença requeria.No intervalo eu tentei viabilizar a edição através da Fundação Cultural do Tocantins e conversei com o presidente do órgão apresentando o projeto de uma ficção baseada em fatos reais acontecidos aqui no Tocantins. Ele se mostrou receptivo, porém apareceu uma pedra no meu caminho. E foi justamente um subalterno ao chefe da fundação, que é o responsável pela análise das obras para publicação. Este senhor que se diz jornalista e professor ignorou meu trabalho, e notei que ele me olhou como se quisesse dizer que só alguém que pertence a área dele é que tivesse o direito de escrever. Com isso ele nem sequer folheou uma página do meu trabalho, se é que ele pelo menos teve a curiosidade de ler o título que estava estampado em letras graúdas sobre a capa. E de pronto mandou-o para o arquivo morto.Depois de um ano sem ser notificado, fui procurar o presidente da fundação que, quando me viu, imediatamente mandou chamar o dito cujo e só aí parece que aquele senhor olhou para capa da obra e tomou conhecimento do título depois de procurá-lo bastante até encontrá-lo abandonado no local dos esquecidos. Quando recebi o livro vi que havia um carimbo na capa feito no protocolo, contudo não avistei nenhum sinal de que tivesse sido feita alguma observação o que seria impossível, pois ele não chegou a fazer nenhuma análise mesmo que fosse preliminar.E eu o peguei de volta e talvez o leitor concorde que não havia mais como perder tempo com alguém que, claramente, se mostrou com tão má vontade.Mas voltando a este blog, como eu falava no início desta conversa, eu gostaria de dizer que nele colocarei desde fatos mais recentes passando pelo período estudantill até minha infância. Vale ressaltar que as pessoas com quem convivo hoje são outras e moram bem distantes daquelas com quem vivi na minha juventude e infãncia.Certamente tantos os de hoje quanto os de ontem irão achar estranho aqueles nomes de pessoas desconhecidas que farão parte das minhas histórias, porém sabemos que a vida na internet é assim mesmo. E se formos atrás todos sabem que dificilmente um leitor conhece pessoalmente os personagens dos livros que lêem.Não tenho a pretensão de publicar diariamente aqui, mas paulatinamente, já que além do tempo que lido com o trabalho que me sustenta, também tenho outro blog cujo título é Convivências e Conveniências que foi o nome mais adequado àquela minha outra proposta. Enquanto que neste que agora escrevo discorrerei mais de forma literária no outro o assunto é voltado para o joranlismo misturando comentários com charges políticas e até me fazendo algumas vezes passar para adiante algumas lições de cidadania. Por fim vou torcer e caprichar para que este blog venha de encontro aos meus anseios satisfazendo ao mesmo tempo as pessoas que o acessar. Prometo que colocarei para fora tudo que minha capacidade alcançar. E por hoje é só.Fiquem com Deus e até a próxima publicação. Em breve!
Postado por F.Assis às 18:07 0 comentários