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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Ninguém é perfeito
Entretanto, ele não levava sorte nas vezes em que tentou um cargo eletivo. Embora tenha conseguido se eleger vereador ele não obteve sucesso quando candidatou-se a prefeito, nem nas duas vezes em que tentou um mandato de deputado.
Na primeira campanha ao legislativo ele se disse traído pelo líder político da cidade, o prefeito Everaldo Barros. Sua outra decepção ocorrera em Araguanã que na época era apenas uma corrutela pertencente ao município de Araguaína.
Conta-se que o seu cabo eleitoral na vila de Araguanã cometera um ato de irresponsabilidade que afetou sobremaneira o seu resultado eleitoral. Um morador de Araguanã falou que o cabo eleitoral do Horácio bebera demasiadamente na véspera da eleição, entrando madrugada adentro, e não tivera condições de se levantar no dia seguinte, deixando a eleição passar sem condições de cumprir sua função, facilitando a ação dos concorrentes que subtrairam os votos do Horácio.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Um cordel sobre Palmas a capital do Tocantins

Na planície do cerrado
lançou-se a pedra fundamental
de uma nova cidade
para ser a capital
deste mais novo Estado
que fica localizado
distante do litoral
-------*-----------
As margens do rio Tocantins
o lugar foi escolhido
o seu plano foi traçado
e um marco foi erguido
quando os tratores chegaram
as matas eles derrubaram
e o alicerce construído
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Na região central do Estado
para facilitar o acesso
tal qual a capital do Brasil
ali se buscava o sucesso
por isso prepararam o lugar
onde iria se governar
alavancando o progresso
--------*-----------
Com as máquinas trabalhando
rapidamente ruas se abriam
sob o calor do sol quente
aqueles prédios se erguiam
eram operários que chegavam
e logo se empregavam
e salários recebiam
--------*-----------
Aquele que só esteve aqui no início
quando retorna fica impressionado
ao ver que aquele canteiro de obra
hoje é maior cidade do Estado
quem viu toda aquela dificuldade
não esperava encontrar uma cidade
no chão que vira desabitado
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Minha identidade
Depois de quase vinte anos estabelecido aqui ainda não perdi aquele sotaque característico da minha terra e, vez por outra, quando alguém me ouve pergunta se eu sou nordestino. Eu respondo que sim, porém faço uma ressalva e acrescento que sou Potiguar.
Embora me orgulhe de ser um nordestino, prefiro ser específico quanto a minha naturalidade. Eu explico porque! O Nordeste é composto por nove Estados da Federação e cada um apresenta suas peculiaridades culturais típicas e variações, embora pequenas, na maneira de falar. Portanto não é justo afirmar que o maranhense tem as mesmas características e costumes de um baiano, assim como os demais Estados mesmo que sejam fronteiriços.
E para sustentar o meu ímpeto, eu tomo como base o dia a dia aqui em Palmas, pois tanto no meu trabalho quanto na vizinhança ou pelas ruas estou em constante contato com pessoas oriundas do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e do Norte. E nenhuma dessas se identificam pela região, mas pelo Estado de onde emigraram. O filho de Minas Gerais é Mineiro, o de São Paulo é Paulista assim como o Capichaba, Carioca ou o Fluminense. O mesmo acontece com o Goiano, o Gaúcho e os tantos outros que para aqui vieram deixando, como eu, seus Estados de origem. Até mesmo o Tocantinense quando se desloca a outra parte do Brasil faz uso da identificação estadual.
Embora não pretenda fazer disso um grito de guerra e muito menos causar polêmica, pois cada um tem o direito de se definir como bem queira. Eu entendo que me identificando apenas como um nordestino estou deixando se perder parte de minhas raízes e colocando minha história em dispersão, sem aquele típico sentimento de amor pelos meus conterrâneos e pelo chão onde nasci.
Concluindo quero dizer que aprendi a gostar deste Estado que me acolheu e onde hoje vivo com minha família, mas jamais deixarei de ratificar que sou norteriogandense quando alguém usar um termo genérico e regionalista acerca da minha origem.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
A cassação do Governador do Tocantins e a Eleição Indireta - Em Cordel
viveu um fato inusitado
setembro de dois mil e nove
houve mandato cassado
a noite um perdia o poder
de manhã outro era empossado
*
Marcelo entrou com recurso
mas não conseguiu se manter
e depois de alguns meses
ele teve que se render
deixando o Palácio Araguaia
para Gaguim assumir o poder
*
Gaguim assumiu como interino
até haver uma eleição
e o que fosse escolhido
faria um mandato tampão
no entanto ninguém esperava
que fosse ter pactuação
*
A resoulução do TSE
tirou a perspectiva
pois a escolha do sucessor
ficou com a Assembléia Legislativa
Deixando a população inerte
sem qualquer alternativa
*
E os deputados conchavaram
tirando o povo da reta
e do jeito que fizeram
tiveram a vitória certa
elegendo seu candidato
por meio de eleição indireta
*
Com quem ficou o poder
ninguém faz qualquer idéia
e tudo se trasformou
numa verdadeira alcatéia
já que o Palácio Araguaia
virou refém da Assembléia.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Nem sempre a primeira impressão é a que fica

Sempre que aquele Jovem senhor maranhense por nome de Glédson, com sua cor morena e olhos esverdeados, passava com a mulher em direção a igreja pelas ruas do Jardim Aureny III carregando os dois filhos em um carrinho de mão, as pessoas olhavam desconfiadas achando que talvez ele tivesse um parafuso a menos em seu corpo.
E numa daquelas noites chuvosas eles retornavam do culto da Assembléia de Deus, andando calmamente pelas ruas escuras do setor, quando de repente, num descuido ao subir uma ladeira, ele escorregou fazendo com que o carro se desgovernasse precipitando-se a tombar e despejar as crianças no solo lamaçento.
Vendo as crianças sujinhas e chorando a mãe começou a reclamar dizendo que aquela não fora a vida que pedira a Deus; no entanto, ele pediu-a que tivesse calma, esclarecendo que as coisas não eram da forma que ela estava pensando.
E naquele momento ele começou a lembrar do início, quando chegara. A cidade era apenas um canteiro de obra e ele trabalhava de servente a ainda morava e fazia as refeições na própria construção onde estava trabalhando, próximo de onde hoje é o Colégio Frederico Pedreira. Depois ele fez um curso de eletricista e de pedreiro. Aí logo conseguiu uma vaga na prefeitura como serviço prestado. Naquele tempo ele bebia muito e não tinha sequer uma bicicleta para andar. Depois passara a ser crente e, com satisfação, lembrou-se que eles foram o primeiro casal a se converter naquele local onde estavam morando. E eles até já tinham uma casinha para morar, além de já estar sendo funcionário concursado da prefeitura.
Todavia, a partir naquele dia, ele e a mulher combinaram em fazer uma campanha de oração. E todos os dias acordavam as quatro horas da manhã e, de joelhos, buscavam força na fé aproveitando para pedirem também a prosperidade financeira.
Em poucos dias os quatro passaram a ir a igreja em cima de uma bicicleta. Até que numa manhã ao passar em frente a uma garagem que vendia carros usados ele parou e pensou em fazer um financiamento para adquirir seu primeiro veículo motorizado.
Chegando em casa ele foi compartilhar o desejo com a esposa, mas ela protestou dizendo que eles não tinham condições para fazer aquilo; no entanto ele foi firme e respondeu que confiava no Deus em que estava servindo. E naquele mesmo período ele comprou seu primeiro carro, um Uno usado ano 95/96 com trava elética e vidro elétrico do qual ele muito se orgulha por ter terminado de pagar sem atrasar um dia sequer no pagamento das prestações.
E hoje quem o ver pelas ruas daquele setor em que sempre morou, lembra ainda daquele tempo em que o via impulsionando um transporte de mão, a chamar a atenção dos moradores que concluiram ser ele a mesma pessoa audaz de antigamente. O que mudou foi a impressão que faziam de sua pessoa.
sábado, 31 de outubro de 2009
Memória Viva

Foto cedida por Osvaldo Dias Brito
Desde que recebeu o diploma pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Goiás, muitos sorrisos ele refez no pousar sobre sua cadeira depois que a ansiedade os conduziram, apreensivos, em busca de uma solução para uma perda, mesmo que temporária, da alegria. A contar do ano de 1962, certamente foram muitos os que o procurou confiando que diante do seu conhecimento retornariam paras suas casas com a alegria restabelecida. E foi através do serviço público que Dr. Osvaldo Dias Brito começou a desempenhar a profissão de Cirurgião-Dentista na pequena cidade de Tocantínia, situada a aproximadamente sessenta quilômetros de Palmas. Na época havia outros quatro colegas atuando na região do antigo Nortão de Goiás. Em Tocantínia só ele era profissional formado. Além do contrato pelo Estado de Goiás, ele tinha consultório particular. O interessante é que ele desempenhava a função sem o auxílio de energia elétrica, trabalhando com dois motores a pedal, sendo um dele e outro do Estado. As dentaduras ou chapas, como são popularmente chamadas, eram confeccionadas em Anápolis com um protético chamado Jovelino Galvão, fazendo-o afirmar com prazer que com o uso do articulador, plano de cera e a escala de dentes, os casos sempre davam certo,
Satisfeito com a porfissão ele orgulha-se do seu trabalho e tem a satisfação de mencionar o fato de haver tido o Bispo de Miracema, Dom Jaime Collins, no rol de seus pacientes, apesar de haver outros profissionais na vizinha cidade que é separada da sua apenas pelo rio Tocantins.
Dr. Osvaldo, como é chamado pela população, já passa dos oitenta anos, tendo se aposentado no dia 29 de abril de 1993. Ele nasceu em Tocantinópolis, porém seu registro oficial o designa como nascido em Filadélfia. Casado, ele tem apenas uma filha. Com veemência ele se emociona e destaca o direito ao diploma de Cirurgião-Dentista a uma conquista alcançada indiretamente, fazendo jus ao fato de ser filho de Henrique Figueiredo Brito e Emília Dias Brito.
Como homem que apoia a cultura do seu povo e com interesse em ver preservada a memória da odontologia do Estado do Tocantins, ele doou seu velho e antigo consultório para a criação do museu da odontologia esperando com isto ter dado o pontapé inicial para outras junções de peças a compor a história da odontologia deste mais novo Estado do Brasil.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
A separação de Siqueira Campos e Marcelo Miranda
As previsões já diziamEsta união irá acabar
Depois que o Marcelo assumir
E começar a governar
Pois haverá disputa
Para no Estado mandar
E a separação chegou
A previsão foi concretizada
A relação foi dividida
E ela já vinha arranhada
Sendo impossível para eles
Poder ser continuada
Em suas vidas políticas
Eles não começaram aliados
Mas depois que se uniram
Pareciam nós bem amarrados
E só o poder os teriam
Novamente separados
Esta foi a grande manchete
Embora fosse esperado
Em todo canto corria
Nada era mais divulgado
Nos salões, bares e esquinas
Onde um grupo fosse formado
Siqueira ficou como prepotente
Marcelo como traidor
Mas no final das contas
Não havia mais amor
O caso era de rompimento
Mesmo que fosse com dor
Marcelo mudou de partido
E foi para oposição
Que coisa mais estranha
Governo não ser situação
Porém é como foi definido
O modo da sua ação
Siqueira foi à TV Anhaguera
Colocando o dedo em riste
Bem de frente para a câmera
Para que Marcelo visse
E provasse para o povo
A dívida que ele disse
Dos pontos fracos do governo
Siqueira se aproveitou
Não faltou uma só coisa
Que ele não criticou
E tudo que acontecia de ruim
A Marcelo ele culpou
Marcelo que antes só ouvia
E pretendia ficar calado
Diante de tanta acusação
ficou muito inconformado
E pôs para fora a dívida
Que Siqueira havia deixado
A imprensa passou a ser palco
De brigas e acusações
Nos programas partidários
E nos jornais das televisões
Com muitas trocas de insultos
e outras apelações
Marcelo de tudo fez
Para o tempo de Siqueira esquecer
Mudou o nome do programa
Governo mais perto de você
Para o Tocantins é para todos
E sua campanha fazer
Conclusão:
Os dois disputaram o governo
Siqueira saiu com tudo confiado no que criou
Enquanto Marcelo tinha outro trunfo
E acreditava no seu genitor
E depois de uma campanha acirrada
Ao final Marcelo ganhou
sábado, 17 de outubro de 2009
A Bênção de Deus

Quando Palmas iniciava seu processo urbano e atraía seus primeiros moradores, Porto Nacional há muito já estava fincada no meio do cerrado norte-goiano como uma cidade tradicional, às margens do rio tocantins, conhecida com a mais histórica e como berço da cultura deste sertão outrora muito distante da capital de Goiás. E foi justamente de Porto que vieram alguns dos primeiros funcionários públicos e habitantes para esta planície onde edificaram a capital do Estado do Tocantins.
Porto Nacional cedeu parte de sua população e também foi favorecida pela proximidade com o centro das decisões políticas do Estado havendo, portanto, um equlíbrio entre as perdas e ganhos advindos com o surgimento da cidade administrativa.
Entre as tantas famílias que migraram nessa direção estava a do irmão Leonardo, um crente Batista natural da bahia que vendeu o que tinha para investir neste novo horizonte que ele viu se abrir não só para aqueles oriundos da região, mas para todos os brasileiros que tivessem coragem da arriscar-se a uma nova vida.
Quando chegou com a esposa, os dois filhos e a filha ele logo comprou uma casinha simples naquela quadra que hoje é uma das regiões mais nobres da cidade, a Arne 14, e com o que sobrou saiu à procura de uma nova ocupação já que com sua mudança havia vendido a oficina de bicicleta que era o que lhe dava o sustento.
Sem saber por onde começar ele foi até a rodoviária que ficava na Arso 41 e logo que lá encostou avistou uma lanchonete bem rústica à venda que não tinha mais do que duas ou três sacolas de laranjas dependuradas em sua dependência. Ao procurar saber o valor, o proprietário pediu dois mil e quinhentos reais por aquele vão de tábua que fazia parte da estrutura precária da rodoviária e que era desprovido de móveis e qualquer tipo de saneamento básico. Depois de fazer um levantamento no seu capital, irmão Leonardo viu que podia dispor apenas de dois mil contando com as duas bicicletas que seus filhos usavam para ir a escola. E a proposta foi bem recebida e aceita pelo vendedor que de imediato lhe entregou a posse daquela sala vazia.
Para dar início à labuta ele comprou um fogão, arranjou uma geladeira emprestada com um irmão do grupo de gideões e a estufa foi doada por um irmão de sangue. A partir daí toda manhã ele ia ao açougue comprar meio quilo de carne moída para fazer o pastel para vender.
Apesar dos dias difíceis, ele afirma que como servo de Deus nunca deixou de dar testemunho nem de receber as bênçãos sobre seu lar. Por isso mesmo diante das dificuldades ele sabia que sempre teria em dobro tudo quanto depositava no altar do Senhor.
Certo dia irmão Leonardo se viu em grande aperto diante das despesas com passes de ônibus para os filhos irem a escola e ao fato de ver que naquele restante de feira em casa só sobrara arroz e feijão para comer. O dinheiro que apurara na lanchonete acabou ainda de manhã quando teve que reabastecê-la do mínimo possível para tocar o negócio. Contudo no outro dia ele saiu de casa para comprar a carne achando que seu dinheiro dava para adquirir um quilo e assim poder dividi-la ao meio entre sua casa e a lanchonete. E ao chegar ao açougue mandou que cortasse a carne, porém seu desapontamento foi grande na hora de pagar quando percebeu que o dinheiro só dava para meio quilo já que havia os passes para os filhos irem a escola. E assim imediatamente ele mandou suspender a outra parte deixando o açougueiro zangado a reclamá-lo por tê-lo feito partir aquele naco de carne.
Irmão Leonardo saiu dali humilhado e abatido tanto por não levar a carne para casa como pela bronca do açougueiro. Todavia ao cruzar a segunda rua na direção de casa e, ao pegar um descampado, triste, inesperadamente quando ele levantou os olhos eis que surgiu um tatu andando calmamente em sua frente. Ele então refletiu e concluiu rapidamente que aquilo era providência divina e imediatamente partiu para cima do animal usando dos seus pés para imobilizá-lo.
De posse daquilo que lhe serviria para suprir a falta da carne em casa, ele com muita satisfação atribuiu o fato a uma bênção de Deus e chegou em seu lar ciente de que Ele é fiel e nunca haveria de deixar um servo desamparado.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Os lanches de ontem e de hoje

domingo, 11 de outubro de 2009
A honra de um juiz

quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Salvo pela calça velha
domingo, 4 de outubro de 2009
O Presidente Operário

Apresento uma biografia do Lula em cordel
Cronologia
- 1945 -Em Pernambuco nasceu
- 1952- A São Paulo emigrou
- 1952- Em Guarujá foi morar
- 1978- No ABC liderou
- 1990- O Brasil percorreu
- 2001- A Brasília chegou
Esta breve biografia
Não é uma ficção
Pode ser até que alguém
Não goste da explanação
Mas os fatos aqui mostram
Que não há qualquer invenção
Luís Inácio da Silva
É como foi registrado
Mas Lula foi o nome
Que havia se espalhado
Por isso o seu registro
Precisou ser alterado
Ele saiu do Nordeste
Como tantos retirantes
Em cima de pau de arara
Saiu como viajante
Vários dias pela estrada
Até a terra distante
Com a mãe e os irmãos
Deixou para trás parentes
Todo um passado de infância
Terra, animais casa e gentes
E não imaginava que um dia
Voltaria presidente
Com apenas nove anos
Começou a trabalhar
Pois nas despesas de casa
Ele tinha que ajudar
Trabalhando de engraxate
Pra poder se sustentar
Depois foi ser metalúrgico
Com quinze anos completo
Numa fábrica de parafusos
Mostrou-se ágil e esperto
E ali a profissão
Ele tinha descoberto
Em São Bernardo do Campo
Havia se estabelecido
Dirigindo um sindicato
Logo ficou conhecido
E a sua liderança
À classe tinha se expandido
Ele foi levado ao cárcere
Por não calar sua voz
Combatendo empresários
E o sistema feroz
Mas embora fosse punido
Não temia o algoz
O que ele não conseguiu
Não fez uma faculdade
Quando criança não brincou
Não evitou a perda do dedo
Não foi eleito governador
Não conseguiu derrotar Collor
De FHC não ganhou
Conclusão
O motivo de falar sobre Lula
Não é paixão nem fantasia
Não é adoração
Muito menos idolatria
Nem é também bajulação
E nem significa que eu desfrute de qualquer regalia
Admiração
Admiro as pessoas que lutam
E conseguem crescer
Que fazem a diferença
E o resultado se ver
Que são inteligentes
Pois mesmo sem estudar
Pôde na vida vencer.
sábado, 3 de outubro de 2009
A Casa do Estudante
Depois do café saía para o colégio e, depente no meio do caminho o corpo começava a coçar e então via sair por entre as frestas da roupa aquele percevejo pequenino e preto andando devagarzinho por entre os pelos florescentes do meu corpo. Já não bastava as nossas camas repletas daqueles hematófagos obrigando-nos a toda semana fazer uma limpeza com querosene para diminuir a grande infestação.
Era também muito comum contrair escabioses e outras alterações cutâneas decorrentes do próprio ambiente coletivo onde os colchões na sua maioria eram velhos e mofados.
A minha primeira semana na Casa do Estudante do Rio grande do Norte foi pesada. Era o início do ano de 1981 e caíra um dilúvio na região do Trairi derrubando torres de energia elétrica deixando a capital sem luz durante vários dias.
Ficamos sem água e consequentemente o restaurante não pode funcionar. Era preciso descer até o Paço da Pátria, às margens do rio Potengi, para tomar banho em umas cacimbas que havia por lá.
Para completar, a casa passava por um grave problema financeiro penando com um dívida a perder de vista. Porém o mais complicado era entrar naquelas privadas francesas que ficavam separadas do local de banho. O cheiro não era cheiro, era fedor. Restava ter paciência ao fazer o serviço tentando tampar o nariz, quase a ficar sem fôlego.
Acho que vivi dez anos em um ano e que comi uma tonelada de arroz duro feito bolão. Tomei várias pipas de sopa sem gosto e segurei centenas de vezes aqueles bandeijões mal lavados em que era servida a comida.
Enfim sofri, mas não desisti. Aprendi e hoje tenho uma profissão que me deu um emprego.
Agradeço a Deus por ter conseguido. E fico feliz por ver que os colegas da minha época e que se abrigavam comigo na mesma cela também venceram. Posso citá-los um a um como prova inequívoca da persistência e do sucesso alcançado.
Entre eles estão: Costinha, Totinha, Lisboa Marinho, Teton ( meu irmão), Chico Lopes, Saboinha, Dião, Raimundo de Dico, Dibede, Vicenildo e Carlos Alberto.
Hoje moro distante de todos, mas quando os encontro vejo nos olhos de cada um a certeza de que valeu a pena pagar tão caro para ter uma vida melhor.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Inicio minha primeira página deste blog ao colocar em voga estas palavras dizendo, de antemão, que não pretendo me promover a nada através dele. Isto aqui é simplesmente uma realização pessoal. Pois devo dizer que há algum tempo escrevo e ao longo desse período fui guardando meus rascunhos acabados na intenção de um dia vê-lo virar uma página aberta aos amantes da literatura.Em função dos custos com uma publicação impressa inviabilizar um possível investimento dou como justificativa a dificuldade de ter o retorno do meu dinheirinho suado, por isso parti com toda força para as páginas da web, pois como vocês sabem aqui é de graça e como eu provavelmente não iria obter nenhum lucro fazendo a edição desse material, não vejo como prejuízo entregar também grátis aquilo que criei. Eu falo isto com a experiência de quem já está por mais de um ano com um livro de romance pronto, tendo, ao mesmo tempo, acompanhado outras pessoas que assim como eu gostam de escrever e que se arriscaram a entrar numa gráfica para pagar pelo serviço de impressão que nunca mais voltou ao seu bolso -"mesmo assim eu penso em publicar meu romance!".Contudo não foi só isso o que impossibilitou essa minha empreitada. Aconteceram outros contratempos. Não posso deixar de compartilhar com quem ainda não sabe, mas é que passei recentemente por momentos difíceis na vida com a perda precoce do meu primogênito que estava com a tenra idade de apenas doze anos, o que me deixou por cerca de um ano inerte, devido a preocupação e os cuidados com o tratamento que a doença requeria.No intervalo eu tentei viabilizar a edição através da Fundação Cultural do Tocantins e conversei com o presidente do órgão apresentando o projeto de uma ficção baseada em fatos reais acontecidos aqui no Tocantins. Ele se mostrou receptivo, porém apareceu uma pedra no meu caminho. E foi justamente um subalterno ao chefe da fundação, que é o responsável pela análise das obras para publicação. Este senhor que se diz jornalista e professor ignorou meu trabalho, e notei que ele me olhou como se quisesse dizer que só alguém que pertence a área dele é que tivesse o direito de escrever. Com isso ele nem sequer folheou uma página do meu trabalho, se é que ele pelo menos teve a curiosidade de ler o título que estava estampado em letras graúdas sobre a capa. E de pronto mandou-o para o arquivo morto.Depois de um ano sem ser notificado, fui procurar o presidente da fundação que, quando me viu, imediatamente mandou chamar o dito cujo e só aí parece que aquele senhor olhou para capa da obra e tomou conhecimento do título depois de procurá-lo bastante até encontrá-lo abandonado no local dos esquecidos. Quando recebi o livro vi que havia um carimbo na capa feito no protocolo, contudo não avistei nenhum sinal de que tivesse sido feita alguma observação o que seria impossível, pois ele não chegou a fazer nenhuma análise mesmo que fosse preliminar.E eu o peguei de volta e talvez o leitor concorde que não havia mais como perder tempo com alguém que, claramente, se mostrou com tão má vontade.Mas voltando a este blog, como eu falava no início desta conversa, eu gostaria de dizer que nele colocarei desde fatos mais recentes passando pelo período estudantill até minha infância. Vale ressaltar que as pessoas com quem convivo hoje são outras e moram bem distantes daquelas com quem vivi na minha juventude e infãncia.Certamente tantos os de hoje quanto os de ontem irão achar estranho aqueles nomes de pessoas desconhecidas que farão parte das minhas histórias, porém sabemos que a vida na internet é assim mesmo. E se formos atrás todos sabem que dificilmente um leitor conhece pessoalmente os personagens dos livros que lêem.Não tenho a pretensão de publicar diariamente aqui, mas paulatinamente, já que além do tempo que lido com o trabalho que me sustenta, também tenho outro blog cujo título é Convivências e Conveniências que foi o nome mais adequado àquela minha outra proposta. Enquanto que neste que agora escrevo discorrerei mais de forma literária no outro o assunto é voltado para o joranlismo misturando comentários com charges políticas e até me fazendo algumas vezes passar para adiante algumas lições de cidadania. Por fim vou torcer e caprichar para que este blog venha de encontro aos meus anseios satisfazendo ao mesmo tempo as pessoas que o acessar. Prometo que colocarei para fora tudo que minha capacidade alcançar. E por hoje é só.Fiquem com Deus e até a próxima publicação. Em breve!
Postado por F.Assis às 18:07 0 comentários