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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Nem sempre a primeira impressão é a que fica



Sempre que aquele Jovem senhor maranhense por nome de Glédson, com sua cor morena e olhos esverdeados, passava com a mulher em direção a igreja pelas ruas do Jardim Aureny III carregando os dois filhos em um carrinho de mão, as pessoas olhavam desconfiadas achando que talvez ele tivesse um parafuso a menos em seu corpo.
E numa daquelas noites chuvosas eles retornavam do culto da Assembléia de Deus, andando calmamente pelas ruas escuras do setor, quando de repente, num descuido ao subir uma ladeira, ele escorregou fazendo com que o carro se desgovernasse precipitando-se a tombar e despejar as crianças no solo lamaçento.
Vendo as crianças sujinhas e chorando a mãe começou a reclamar dizendo que aquela não fora a vida que pedira a Deus; no entanto, ele pediu-a que tivesse calma, esclarecendo que as coisas não eram da forma que ela estava pensando.
E naquele momento ele começou a lembrar do início, quando chegara. A cidade era apenas um canteiro de obra e ele trabalhava de servente a ainda morava e fazia as refeições na própria construção onde estava trabalhando, próximo de onde hoje é o Colégio Frederico Pedreira. Depois ele fez um curso de eletricista e de pedreiro. Aí logo conseguiu uma vaga na prefeitura como serviço prestado. Naquele tempo ele bebia muito e não tinha sequer uma bicicleta para andar. Depois passara a ser crente e, com satisfação, lembrou-se que eles foram o primeiro casal a se converter naquele local onde estavam morando. E eles até já tinham uma casinha para morar, além de já estar sendo funcionário concursado da prefeitura.
Todavia, a partir naquele dia, ele e a mulher combinaram em fazer uma campanha de oração. E todos os dias acordavam as quatro horas da manhã e, de joelhos, buscavam força na fé aproveitando para pedirem também a prosperidade financeira.
Em poucos dias os quatro passaram a ir a igreja em cima de uma bicicleta. Até que numa manhã ao passar em frente a uma garagem que vendia carros usados ele parou e pensou em fazer um financiamento para adquirir seu primeiro veículo motorizado.
Chegando em casa ele foi compartilhar o desejo com a esposa, mas ela protestou dizendo que eles não tinham condições para fazer aquilo; no entanto ele foi firme e respondeu que confiava no Deus em que estava servindo. E naquele mesmo período ele comprou seu primeiro carro, um Uno usado ano 95/96 com trava elética e vidro elétrico do qual ele muito se orgulha por ter terminado de pagar sem atrasar um dia sequer no pagamento das prestações.
E hoje quem o ver pelas ruas daquele setor em que sempre morou, lembra ainda daquele tempo em que o via impulsionando um transporte de mão, a chamar a atenção dos moradores que concluiram ser ele a mesma pessoa audaz de antigamente. O que mudou foi a impressão que faziam de sua pessoa.