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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A nova inquilina - 1ª parte

Mal havia sido desmamada e ela veio se juntar a nossa família. Pequenina, chegou dentro de uma caixa de sapato no meio daquela noite de verão.
Mas tudo começou no dia anterior quando o telefone tocou. Foi minha esposa quem atendeu enquanto eu assistia ao jornal nacional e, apesar de concentrado, ouvi quando ela respondeu afirmativamente a indagação do seu interlocutor.
Fiquei de orelha em pé, fazendo minhas suposições e ao vê-la passar sem me comunicar o que estava acontecendo tomei a iniciativa de saber do que se tratava aquela comunicação. Sem titubear ela me disse que seu cunhado chegaria no dia seguinte e que ele estaria trazendo para nós uma das filhotes da ninhada da Suzy, a sua cadela branca da raça poodle. Fiquei relutante e sem saber o que dizer no primeiro momento, porém logo depois contra-ataquei temendo o trabalho que haveria de vir, advertindo-lhe que se preparase para limpar mijo e cocô de cachorro novo. Contudo, ela respondeu que aquilo iria ficar a cargo do nosso filho mais velho.
No entanto, eu fiquei velhaco pressupondo que no frigir dos ovos o trabalho iria cair mesmo era nas minhas costas em face da experiência anterior quando criamos um outro cachorro.
E assim começaram os primeiros dias daquele bichinho de pelúcia na convivência de nossa casa. Em meio a minha curiosidade pude ver que no início tudo é maravilhoso e que o nosso primogênito, que era um garoto que estava no esplendor de sua infância, estava fascinado com o seu novo brinquedo de pelos pretinhos e de cara acentuada por uma tonalidade acinzentada. O menino não se desgrudava daquela cria, e também não dava dois passos sem que ela não estivesse sobre seus braços, impregnando-o pelo cheiro de xixi. Era um mimo sem fim e logo o seu irmão mais novo veio se juntar a ele naquela bajulação.
De vez em quando eles chegavam com um pano em sua mãos pequenas para atender àqueles momento em que ela se apragatava no chão para eliminar aquele líquido amarelado e mau cheiroso de sua micção. Eram cuidados com a hora da ração, sempre de olho na vasilha prateada em que se colocava a comida e na outra de cor violeta para que sempre estivesse cheia de água fresquinha, límpida e transparente. Fiquei admirado com aquela dedicação, mesmo achando que ainda era cedo para tirar minhas conclusões, porém, aqui acolá, era preciso intervir e controlar os exageros, pois os dois já disputavam o direito e o privilégio de dividir sua cama com o novo passatempo.
Só depois da primeira vacina foi que demos um nome para ela, escolhendo um dos nomes mais comuns entre as cadelas espalhadas pelo mundo: "Lassy". E os garotos continuaram a mimá-la em demasia fazendo com que dessem um tempo no Cartoon Cartoon enquanto ela crescia fazendo suas maquinações.