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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Salvo pela calça velha

Depois de algum tempo morando em Palmas o vendedor de picolé Almir retornou à cidade de Imperatriz no Maranhão para se desfazer do útimo bem que deixara por lá - a casinha de alvenaria que levara toda uma vida para construir na periferia daquela cidade. Não tinha dúvida de que queria se estabelecer de vez na capital do Tocantins e iria usar o dinheiro para aplicar na compra de outro abrigo, tendo já perambulado pelas ruas e até encontrado uma simplesinha mas com sala, cozinha, dois quartos e um banheiro.
Estava satisfeito na nova cidade, as vendas de picolé estavam indo de vento em popa e nos finais de semana, quando trabalhava na praia, vendia de dois a três carrinhos daquele palatável sólido gelado e ainda levava o filho pré-adolescente para catar latinhas e com isso tirar o dinheiro do material escolar. A mulher estava trabalhando de ASG no Palácio Araguaia e nas horas de folga sempre lhe aparecia uma faxina ou uma lavagem de roupa reforçando o orçamento enquanto que a filha adolescente colocava em ação suas prendas domésticas ao tomar conta da casa.
Naqueles primeiros meses ele não precisou pagar aluguel, graças ao cunhado que cedera um quartinho nos fundos de sua casa para ficarem até ele encontrar um serviço. Até que chegou o dia de tomar uma decisão.
Chegando em Imperatriz parecia que o destino o queria mesmo como parte do mais novo estado do Brasil. Pois mal ele terminou de abrir a boca e já aparecia comprador com dinheiro contado e sem pedir nem um centavo de abatimento. De posse do numerário ele não demorou-se e rapidamente foi à rodoviária comprar a passagem. No mesmo dia embarcou com o dinheiro que coube todinho dentro do bolso da calça. Era pouco mesmo, não deu nem para abarrotar. Na mão ele levava uma pequena sacola de plástico contendo uma calça velha remendada que até suja estava além de duas cuecas e uma camisa surrada. Quando entrou no ônibus colocou aquele embrulho junto aos pés e viu o carro seguir viagem pela noite a dentro. O pensamento era só um - chegar em casa com o amanhecer e sair iediatamente para fechar o negócio.
Sentado na última fila de cadeiras ele logo adormeceu ouvindo o distante barulho do motor com o corpo a balançar enquanto o veículo percorria a rodovia Belém-Brasília na aceleração permitida pelo tacógrafo. No avançar da viagem, quando provavelmente já estavam da metade para adiante ele acordou ao sentir aquela desaceleração e teve a impressão de que o ônibus se desviava da rota ao perceber uma trepidação incomum a BR que trafegavam. Sonolento escutou umas vozes estranhas e percebeu que o motorista parou de vez para em seguida abrir a porta do veículo.
Desconfiado ele colocou a cabeça na linha do corredor avistando a fila de cadeiras dos dois lados, arregalou os olhos sonolentos e para sua tristeza teve a conclusão de que todo aquele seu trabalho de anos estava a se evaporar naquele instante.
Imediatamente ele retirou o dinheiro do bolso à procura de algum lugar ao redor para esconder dos bandidos que lá na frente apontavam armas para os passageiros naquela determinação de que lhes entregassem tudo de valor que tivessem. Sem nenhuma alternativa ele discretamente abriu a sacola e colocou o numerário dentro da perna da calça velha que estava no fundo. Mas estava ciente de que aquilo de nada iria adiantar ao ver que os homens reviravam tudo que pegavam com uma sede de não deixar nada passar.
Quando os homens avançaram até onde ele estava, mandaram-no colocar-se de pé ordenando que virasse o rosto e logo meteram a mão nos seus bolsos encontrando apenas os dois reais que serviriam para pagar a passagem do transporte urbano da rodoviária até sua casa. E sem perda de tempo arrebataram-lhe a sacola enquanto ele ouvia o barulho do devassar de suas poucas roupas de forma amiúde.
Ao final os homens sairam sem nada reclamar deixando-o certo de que eles haviam subraído todo o seu suado trabalho. Triste, estava inconformado desejando ser aquele momento apenas um sonho longínquo. De tão abatido que ficou não tivera nem coragem de conferir o prejuízo para não aumentar ainda mais o malfadado desgosto que apossava de si.
Ao desembarcar naquela manhã sentindo-se liso e desconsolado teve que ligar par o cunhado vir buscá-lo na rodoviária, já adiantando o terrível acidente o qual fora vítima. Sem palavras seguiu ao lado do cunhado. Ao parar em casa desceu cabisbaixo vendo a mulher e os filhos chorando o que o deixou ainda mais impotente.
Ao entrar em casa tirou aquelas roupas amarrotadas de dentro da sacola e, sem ânimo, deixou-as sobre a cama desprovido de qualquer perspectiva futura.
Mas grande foi a surpresa de todos quando sua filha juntou aqueles trapos na intenção de levá-los para lavar. Pois nem bem ela levantou aqueles panos e logo começou a chover dinheiro pela perna da calça velha, para alegria da família que perceberam terem os ladrões passado batido diante do tão bem improvisado esconderijo.

domingo, 4 de outubro de 2009

O Presidente Operário


Apresento uma biografia do Lula em cordel



Cronologia


  • 1945 -Em Pernambuco nasceu
  • 1952- A São Paulo emigrou
  • 1952- Em Guarujá foi morar
  • 1978- No ABC liderou
  • 1990- O Brasil percorreu
  • 2001- A Brasília chegou

Esta breve biografia

Não é uma ficção

Pode ser até que alguém

Não goste da explanação

Mas os fatos aqui mostram

Que não há qualquer invenção

Luís Inácio da Silva

É como foi registrado

Mas Lula foi o nome

Que havia se espalhado

Por isso o seu registro

Precisou ser alterado

Ele saiu do Nordeste

Como tantos retirantes

Em cima de pau de arara

Saiu como viajante

Vários dias pela estrada

Até a terra distante

Com a mãe e os irmãos

Deixou para trás parentes

Todo um passado de infância

Terra, animais casa e gentes

E não imaginava que um dia

Voltaria presidente

Com apenas nove anos

Começou a trabalhar

Pois nas despesas de casa

Ele tinha que ajudar

Trabalhando de engraxate

Pra poder se sustentar

Depois foi ser metalúrgico

Com quinze anos completo

Numa fábrica de parafusos

Mostrou-se ágil e esperto

E ali a profissão

Ele tinha descoberto

Em São Bernardo do Campo

Havia se estabelecido

Dirigindo um sindicato

Logo ficou conhecido

E a sua liderança

À classe tinha se expandido

Ele foi levado ao cárcere

Por não calar sua voz

Combatendo empresários

E o sistema feroz

Mas embora fosse punido

Não temia o algoz

O que ele não conseguiu

Não fez uma faculdade

Quando criança não brincou

Não evitou a perda do dedo

Não foi eleito governador

Não conseguiu derrotar Collor

De FHC não ganhou

Conclusão

O motivo de falar sobre Lula

Não é paixão nem fantasia

Não é adoração

Muito menos idolatria

Nem é também bajulação

E nem significa que eu desfrute de qualquer regalia

Admiração

Admiro as pessoas que lutam

E conseguem crescer

Que fazem a diferença

E o resultado se ver

Que são inteligentes

Pois mesmo sem estudar

Pôde na vida vencer.